terça-feira, 20 de setembro de 2011

infância

e então em meio a conversa,
senti-me perdido e intruso,
sorri com as maos no bolso,
olhei o chão e calei.

lembrei da infância,
da timidez infantil,
que pouco tinha mudado,
acho que apenas a data.

ainda ontem vi um senhor,
era ele grisalho e frágil,
pisava a calçada fugindo,
brincava de fuga das riscas...

não vi um senhor de fato,
vi apenas uma criança,
algumas primaveras a mais,
desconcertou-se ao me ver.

somos apenas crianças,
mas com responsabilidades,
menos ingenuas,
muito mais mal educadas.

problemas o tempo nos traz,
e o mesmo nos leva o sorrir,
ontem eu ria mais,
viver me entristeceu.

sorrir passa a custar caro,
e a realidade é mesquinha,
metáforas metáforas,
fato é que sorrimos menos.

tavez aquele senhor,
por um momento entendeu,
somos os mesmos de ontem,
apenas um novo contexto.

curvar o mundo no expediente,
mas pedir tudo de balas,
no contexto do mundo adulto,
temos todos falsos bigodes.

viver deve ser uma arte,
ter paz e conseguir sorrir,
pena não ser eu um artista,
apenas um mero observador.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

insulto


desviam-se os olhares,
retira-se as mãos,
as posturas,
as vontades...

somos mediocres,
acomodados,
insatisfeitos,
infelizes.

a brincadeira do sentir,
a dança do transformar,
a coragem de viver,
conceitos e só.

nossa vida é andar,
andar por um labirinto,
entradas em fundo cego,
contruida por covardes...

cegam-nos o caminho,
de um qualquer objetivo,
com suas paredes vãs,
feitas de inconsequência...

mascaram de nós,
o caminho mais óbvio,
retiram de nós,
o sabor da conquista.

esvai-se o ânimo,
brota a covardia,
seremos mais um,
a criar labirintos...

a maioria é óbvia,
a maioria é poderosa,
a maioria vence,
na maioria vivemos.

da maioria apanhamos,
da maioria aprendemos,
para maioria nos rendemos,
com a maioria morremos...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

pulsos engrenados

um dia ao ir dormir,
de repente uma denúncia,
do silêncio eu ouvira,
estalar meu coração.

antes já ouvira,
d'um pai sempre calmo,
sempre frio feito pedra,
estalava seu coração!

decidido fiquei,
do doutor logo saber,
que examinando exclamou,
engrenagens aí têm!

e assim confirmei,
a diferença fundamental,
não podia ser normal,
de fato não o era.

era de engrenagens,
disso era meu coração,
com ele não podia amar,
senão malfuncionava...

expurguei,
odiei tal herança,
mas no silêncio percebi,
nada mais eu tinha...

era dele,
meu poder de vida,
mas vinha dele a prisão,
que triste coração.

sofri calado,
toquei o peito,
gemeu as engrenagens,
em sol de solidão.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

violinos

me pego um dia a ouvir,
ouvir com outros ouvidos,
os benditos violinos,
mal consigo descrever...

que som maravilhoso,
que música suprema,
que me fecha os olhos,
que me leva pra longe...

havia apenas ouvido,
nunca ouvido de fato,
geme tal instrumento,
chora feito lamento.

poderia ouvir,
e ouvir,
e apenas ficar a ouvir,
é perfeito...

ouça um violino,
de olhos fechados,
por favor,
ouça...

geme tal instrumento,
macio e sutil,
como uma linda mulher,
perfeita...

chora feito lamento,
de quem chora de alegria,
de quem chora de dor,
mãe que ganha ou perde o filho...

ouça um violino,
de olhos fechados,
se surgir choro ou arrepio,
ouviste finalmente...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

mensagens

movimentei os pés cobertor a dentro,
inspirei fundo em reflexo despertar,
me vi debruçado sobre o sofá,
meu pescoço doia feito torcicolo.

ainda deitado olhei para o teto,
notei me despertando tranquilo,
quando o mundo dos pensamentos,
de subito retornou a minha mente.

notei que dormira bastante bem,
sono de um possível justo,
cabeça e corpo são e algo mais,
estava em paz novamente.

pensei exatamente nessa paz,
foi meu pensamento primeiro,
muitos sequer sabem que está ali,
vivem com ou sem ela, mas sem saber.

me senti estranho na verdade,
acordei e de pronto a senti,
a alguns momentos não a percebia,
estava em paz novamente.

indaguei o que mudara para tal,
uma excelente conversa inusitada?
uma boa noite de sono profundo?
o estresse anterior retirando-se?

não soube me responder,
não era tão relevante,
pensei mesmo foi nas mensagens,
aquelas que a gente esquece...

daquelas que cada um tem as suas,
sutis na diferença mas únicas,
as verdades aquelas que nos tiram,
e nos perdemos até reacha-las.

cá parado pensei em algumas,
pensei em quem as perdeu,
ri já que ontem era eu,
as tais 'fases de vida'...

paz, mensagens e fases,
pelo visto dançam conosco,
umas com as outras,
colorindo o baile de nossa vida.

mas liguei as luzes do salão,
ri novamente por pintar tal quadro,
recai o pensamento nas mensagens,
e levantei-me pensando nas mesmas.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

fome

hoje me pego pensando,
passado pesado pensado,
cansado mas vivo,
o que pesa é o tempo...

não o tempo passado,
mas o tempo buscando,
ao piscar novamente,
ainda restara juventude?

as almas precisam,
como nossos corpos,
de um bom café da manhã,
ou um belo x-alegria!

migalhas de promessas,
de alegrias vindouras,
é apenas disso,
que as vezes é o alimento.

de forma alguma é desejo,
deixar adoecer o interior,
por simples desnutrição,
doi esse pequeno saber...

mas doi mesmo é ficar,
ficar na promessa,
e não em acontecimentos,
onde mais esta a vida?

quem sabe toda a busca,
em um súbito golpe,
não se torne uma onda,
que mergulhe nalgum mar.

e que então cada segundo,
gasto em todas as procuras,
seja o pagamento dum oceano,
vasto e cheio de oportunidades.

finalmente concedendo,
por algum capricho superior,
alguma alegria milagrosa,
que alimente a razão...

cure a alma da anemia,
fortaleca a existência,
adicione mais um sorriso,
num mundo cheio de disilusão.

sábado, 2 de julho de 2011

a melhor das doenças

contamine os outros,
passe adiante uma doença,
a melhor das doenças,
a da certeza.

perceba algo simples,
que a convicção plena,
é transmissivel pelo ar,
pelo olhar e pelo contato.

a certeza não precisa,
por certo que não,
de holofotes,
pode ser comedida.

seja forte,
de boa índole,
sem segundas intenções,
tenha certeza.

e então espalhe,
se torne virulento,
faça uma epidemia,
e salve o mundo!