sexta-feira, 11 de maio de 2012

desesperança


curvo meu espirito,
arrependo-me no tudo,
até de me arrepender,
sou um covarde discreto.

pior tipo não há,
de fato é que me dói,
sereno e distante,
vazio e imenso.

choro em soluço,
mas de fato só calo,
triste angústia,
montada num cenho...

queria desistir,
queria subir,
queria descer,
quis nada ser...

vejo do mundo,
verdade demais,
minto pra mim,
sem verdade jamais.

hoje uma ilha,
doloroso escarnio,
solidão remota,
frio coração.

bate bate bate,
bate bate,
bate,
não mais bate...

daí um silêncio,
funebre funesto,
triste e vil,
coração que se pôs.

um dia foi meu,
viveu-se em vão,
espera no peito,
triste solução.

domingo, 29 de abril de 2012

cumulonimbus


chove ao meu lado,
chove em mim,
chuva serena,
chuva sem fim.

lava meu rosto,
lava-me o cenho,
fecho meus olhos,
esqueço de mim.

vou ao seu meio,
nada me cubro,
faces ao alto,
meu porto seguro.

assim sou eu livre,
senhor da chuva,
molhado de corpo,
lavado de alma...

a noite se vens,
me jogas em berço,
embalo sedoso,
escuto com calma...

lambe meu ouvido,
murmúrio sereno,
gozo-me em paz,
embalo pro sonho.

olhos fechados,
quase desperto,
sorrio contente,
assim me despeço.

chuva serena,
chuva bem-vinda,
enche-me a força,
acalma-me a vida

sábado, 28 de abril de 2012

morte e vida jesterina


e assim foi que deu-se,
em meio ao mar de breu,
fui golpeado pelo ar,
meu chão fora roubado.

e assim foi que se deu,
me vira caindo ao chão,
o mesmo que não existia,
celere pulso derradeiro...

ao que desistira do ar,
do chão e da esperança,
senti de certo conforto,
a paz intangível do fim.

quando de súbito caí,
ao impacto nada senti,
estava livre do medo,
era água afinal.

meu corpo cobria-se,
cada centímetro em frio,
frio abraço líquido,
nada via apenas sentia.

estava vivo novamente,
agora nadando pelo ar,
que antes abandonara,
agora importava vilmente.

e assim foi que se deu,
um devaneio em sonho,
me fez útil confidência,
vida sádica e irônica.

morra e encontre a vida,
viva e conheça a morte,
paradoxo indecifrável,
mas por certo que útil.

ao quase morto as batatas,
vivo e alerta o morto,
insatisfeito o vivo,
morrerá por certo de tédio.

sábado, 26 de novembro de 2011

a batalha

luto com briga,
apanho nas vozes,
não desisto em mente,
sigo sempre em frente.

sou eu vivendo a vida,
sou eu sofrendo o mundo,
sou eu vencendo tudo,
todos 'eus' são invencíceis.

amei num olhar,
amor pela vida,
cresci e vivi,
sou um vim, vi e venci!

ninguém dobra o mundo,
ninguém vence tudo,
mas pertence ao mundo,
nosso cada segundo.

aos céus respondi,
ao deus decidi,
minha sorte temente,
é só minha e só.

se um dia vivi,
se um dia venci,
foi somente na luta,
que em mérito vi.

se um dia perdi,
se um dia aprendi,
meus erros felizes,
todos que cometi.

vivo cego
vivo louco,
amei por certo que pouco,
perdi um tudo e um pouco.

mas vivo e sigo,
vivo louco,
vivo pouco,
vivi como anjo torto!

se a vida é uma batalha,
certamente que lutei,
de certas guerras que ganhei,
amei menos que sonhei...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

tristonho

encosta-me calma,
doce fatalidade,
crua e nua de todo,
entalhe suave...

ó dor de fino trato,
achou-me bem triste,
doce tristonho,
tristonho chorei.

embala as lágrimas,
d'uma alma triste,
cujos ombros desistem,
desse mundo pesado...

carrego triste,
doce fatalidade,
doce tristonho,
amarga realidade.

divido o fardo,
espelho rachado,
escuto d'um requiem,
suave tragédia.

deixo esse mundo,
à sua própria morte,
de minha mente choro,
nada me resguarda...

agonizo em vida,
ouço uma marcha,
cruel solidão,
requiem da despedida.

acorde clássico,
de tudo tristonho,
hoje sou apenas tristeza,
apenas tristonho...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

coringa

falamos pouco,
calamos pouco,
erramos os tempos,
nosso humor é estranho.

talvez todos acham,
todos nós achamos,
vós achais também?
se nem eles se acham...

achamos demais,
não nos comprometemos,
fugimos de querer ser,
queremos apenas viver.

tudo culpa do antes,
meu ontem foi difícil,
sofri e mudei,
e hoje sou idiota.

até pra nos escondermos,
o discurso é montado,
cliché e piegas,
igual a série de tv...

temos pena de você,
que nem se quer se da conta,
que você é esse você,
pena de você sua parte do todo.

da-me seu discurso,
lhe direi seu custo,
previsível assim,
repetitivamente desmotivante.

mas esqueci de me apresentar,
me chamo idéia,
tenho muitos parentes,
somos uma familia rica.

rica e triste,
esquecida por você,
que não sabe que é você,
e acha muito que sabe.

acha,
novamente,
desgaste suspirante,
novamente...

seguirei aqui,
no porão das mentes,
com minha familia espero,
que um dia mais vocês não achem...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

infância

e então em meio a conversa,
senti-me perdido e intruso,
sorri com as maos no bolso,
olhei o chão e calei.

lembrei da infância,
da timidez infantil,
que pouco tinha mudado,
acho que apenas a data.

ainda ontem vi um senhor,
era ele grisalho e frágil,
pisava a calçada fugindo,
brincava de fuga das riscas...

não vi um senhor de fato,
vi apenas uma criança,
algumas primaveras a mais,
desconcertou-se ao me ver.

somos apenas crianças,
mas com responsabilidades,
menos ingenuas,
muito mais mal educadas.

problemas o tempo nos traz,
e o mesmo nos leva o sorrir,
ontem eu ria mais,
viver me entristeceu.

sorrir passa a custar caro,
e a realidade é mesquinha,
metáforas metáforas,
fato é que sorrimos menos.

tavez aquele senhor,
por um momento entendeu,
somos os mesmos de ontem,
apenas um novo contexto.

curvar o mundo no expediente,
mas pedir tudo de balas,
no contexto do mundo adulto,
temos todos falsos bigodes.

viver deve ser uma arte,
ter paz e conseguir sorrir,
pena não ser eu um artista,
apenas um mero observador.