sábado, 10 de maio de 2014

penumbra

hoje acordei desbotado,
tom de roupa beijada pelo tempo,
houvera uma tristeza em mim,
mais antiga que o mesmo beijo...

sentia uma pitada de paz,
quisera o dia estivesse nublado,
quando de fato o sol brandia luz,
eu desbotaria um tanto a mais...

seria da vida a tristeza?
seria da morte o desassossego?
seria da mente a paranoia?
seria do coração a serpete?

do acesso de mim não podia,
autoconhecimento incompleto,
com o sentido na penumbra,
era uma alma em desfeto...

agradeci em descompaso,
aos céus desse mundo,
ao receber vil penumbra,
ganhara chuva de garoa...

em meu rosto molhado e sereno,
enfim a tristeza a se mostrar,
me afagava de tamanho relento,
podia ser livre aos olhos terrenos...

do peito a dor se expulsava,
nas lagrimas que chorava,
a chuva me escondia do mundo,
na imensidão da tristeza profunda...

quarta-feira, 16 de abril de 2014

adeus

você não sabe,
talvez apenas faça ideia,
eu quem ficou para trás,
é o meu o ninho vazio...

da dor do abandono,
velas em sinal de luto,
bandeira a meio mastro,
a cama meio vazia é a minha...

lá no cais da vida,
avistei você encolhendo,
sem acenar e nem chorar,
sequer fui notado...

presenteado com dor,
eis o meu legado,
rasga-me o peito,
cruel indiferença...

nada acrescentei,
nada mudei,
eu apenas mudei,
nado afogado...

das lagrimas um oceano,
canto formado em lamento,
da culpa a dor,
inundo meus pulmões...

na imensidão da tristeza,
na culpa a renuncia,
afogo-me lentamente,
não desejo mais lutar...

da alma que se esvai,
morri em algum porcento,
saio da vida,
para entrar na tristeza...

sábado, 1 de março de 2014

procuraremos

procuraremos sem conseguir,
ajudar os saudáveis,
os ricos e poderosos,
que vivem na miséria...

procuraremos sem conseguir,
ajudar os amáveis,
os benfeitores fiéis,
que vivem amargos e rejeitados...

procuraremos sem conseguir,
ajudar os brancos e negros,
amarelos e pardos,
pelo temor próprio de sua cor...

procuraremos sem conseguir,
ajudar as familias felizes,
que sorriem no shopping,
cada uma em seu celular...

procuraremos sem conseguir,
ajudar aqueles que se amam,
que juram amor eterno,
até um novo encontro de olhares...

procuraremos sem conseguir,
viver livre ou em paz,
nesse mundo ilógico e ilusório,
verdade certamente é mentira...

razão é uma mera ilusão,
oportunidade é canibalidade,
o foco em banalidade,
vulgaridade da superficialidade...

da vida apenas morte,
homem ao mar a própria sorte,
mortos-vivos em devoração,
o homem já não é mais irmão...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

desabstraindo

         um belo dia me peguei triste, imerso em surpresa como uma criança vendo a chuva, percebi que assistira minha própria emoção pela primeira vez na vida, ficara bastante curioso pois a prática de olhar para sí é pouco usada na cultura ocidental, mágicas geográficas...indaguei então se seria possível observar não só este sentimento mas os outros demais, em última análise o que me deixaria feliz, excitado, enraivecido ou sorridente definiria quem eu sou, logo me encontraria, como uma pequena raiz no solo leva a um imenso tronco de árvore, ou pequeno e verde, claro, dependendo da alma em questão... se caso minha maluquice tivesse algum fundo de verdade eu poderia mirar ainda mais alto, se ME encontrasse de fato, poderia alcançar o nirvana dos sentimentos, a tão buscada paz, paz interior, mestria, sétimo sentido, terceiro olho, como quiserem, eu gosto de chamar apenas de paz... tão sonhada e tão buscada por mim devido meros pequenos encontros ao longo de uma existência, sempre quis encontrar, por fim percebendo que ao olhar para ela, não mais la ela estava, e só ao parar de procurar é que se encontrava, como todas as coisas boas na vida, essa também tinha seu funcionamento nada simples de se conquistar ou entender. até então eu falhara em qualquer instância...
         buscando então a logica da observação pessoal, caso possa se organizar como algo lógico, cai-me e afoguei-me na reflexão que aqui contarei a você leitor de madrugada e de obras inacabadas e marginalizadas como essa, na ideia de transmitir nada além de confusão, mais dúvidas quanto a nossa vã existência, desespero e um pouco mais de confusão...
        imaginando os sentimentos de mim mesmo, em meus meados da metade de uma existência média humana, percebi luzes redondas de simetria perfeita, distribuidas uniformemente em um ginásio, eram várias, de cores e luminosidades diferentes, identifiquei-as como os sentimentos, próximos de cada um eu era tomado por uma emoção diferente, da mesma forma que distinguimos as cores ao olhar para as mesmas, mesmo em tonalidades ou brilhos diferentes ou com sobrenomes, azul é azul...
         em meio a essa pequena constelação distribuiam-se placas solidas de diversos tamanhos e larguras fincadas no chão circulando não uniformemente cada luz formando algo semelhante aos aneis de júpiter, semelhante também a uma fonte de luz na selva noturna onde quanto maior a densidade da mata, mais próximos temos que estar da luz para se ver qualquer luminosidade... essas placas, identifiquei eu, em meio a essa loucura, representavam os traumas, as cicatrizes, decepções e impedimentos que atrapalhavam as luzes de brilhar serenas, tornando-as brilhos indiretos, distorcidos e menos vivos, mesmo que em sua essencia eles estejam íntegros, com seu brilho perfeito em nosso interior...
         posicionei-me então em um nível no ginásio acima do nível dos olhos, muito mais acima, fui ao teto e remeti meu olhar para o solo, alguns poucos metros abaixo... percebi então o panorama descrito de luzes brilhantes salpicadas de placas, onde os feixes de luzes coloridas se projetavam progressivamente menos até desaparecerem em penumbra, o padrão se repetia...
         entendi então que se eu retrocedesse no tempo, placas sumiriam e caso avançasse, placas surgiriam, a mata alteraria sua densidade e as luzes seriam vistas em uma maior distancia... surpreendi-me então com a maior revelação de meu devaneio "líricopsiquicopsicologicologicofilosoficoviajante"... em alguns lugares de "sorte" alguns feixes das luzes todas conseguiam se encontrar em tamanha quantidade e variedade que formavam a cor branca, ao aproximar-me desta, percebia que ela estava presente na soma de todas, e não era nenhuma, o equilíbrio correto das cores ou sentimentos, formava o branco, ou a paz, senti nada, e tudo, senti o parar dos tempos e a calma do universo, percebi a paz, ela novamente, exatamente em meio ao furação da minha loucura, lá estava ela, absoluta...
         ainda insatisfeito, retornei ao teto e reduzi o tempo e a densidade da minha selva que impedia a luz e percebi que não mais se formavam alguns pequenos focos de luz branca isolados, mas sim uma grande intersecção, dominante, central e belíssima de branco, onde todas as luzes, sem impedimento se encontravam em intensidade suficiente para o espetáculo da paz...
         conclui rapidamente, meu leitor já enlouquecido, perdido, revoltado e odioso, que ao pouco vivermos nossa existência é grandemente facilitada pela paz absoluta, mas infelizmente imatura ao ponto de não entendermos o que ela significa, em nossa infância, temos muita paz, mas pouca sabedoria, o que infelizmente não é funcional do ponto de vista 'viver' ou 'buscar'... e ao envelhecermos, nossas placas de tristezas, vivências, culturas, medos e arrependimentos tornam as luzes dos sentimentos indiretas, logo, sentimos indiretamente, e isso de fato se traduz em 'quase achar graça', 'quase ficar triste', em tradução, esfriamos, nos tornamos indiferentes... causamos penumbra onde a luz não alcança, contrario de paz, ausência de paz, tormento, não-paz... nossos medos reduzem a existência da paz por completo se nossas escolhas assim permitirem...
         prefiro eu acreditar, leitor, que ao refletir, pensar, criticar, perdoar, admitir, errar, tentar, se desculpar, se redimir, estamos usando uma energia mental tão sublime que evitamos essas placas em nosso ginásios malucos de constelações luminosas ou quebramos os existentes, e assim permitimos a luz direta, permitimos que a soma dos sentimentos se encontrem em equilíbrio, e assim focos de paz brotem em nosso interior, ignorando quem você é, pois isso não sera mais importante, pois esse quem estará em paz...e quem sabe ao longo de muitas vidas e de muitos mundos diferentes, algumas almas não encontrem uma unica luz branca, semelhante a um ginásio infantil, onde todos os sentimentos são plenos e a paz central silencia esse grande 'sortudo' e ai brote um mestre dentro da existência...
         avisei a você, que buscava na madrugada repostas, que aqui surgiriam apenas mais dúvidas, caso isso faça algum sentido, o que eu acho difícil, certifique-se que você é são mesmo, caso não seja, tudo bem, eu, napoleão estou promovendo você a tenente, caso a sanidade esteja começando a se despedir de você e infelizmente você deseja a pilula azul das respostas, então fique tranquilo, eu, leitor, também estou desesperado como você.
   
   

domingo, 17 de novembro de 2013

faltante

estava ocupado e apressado,
no meu quebra-cabeça,
peça-a-peça,
dia-a-dia!

montava as pressas,
já deveria ter acabado,
mas algo não fazia sentido,
na imagem que surgia...

no meu quebra-cabeça,
uma peça não cabia,
mas estava no desenho,
era uma peça apenas.

tinha contexto,
tinha meio,
tinha inicio,
tinha fim...

como podia não caber?
imagem certa e recorte errado?
motim nas regras básicas?
como pudera?

mas que pequeno incômodo!
a imagem jamais se montaria,
devido ao pequeno erro,
ou um correto desalocado?

senti certa familiaridade,
não conseguia explicar,
com contexto e fim,
a peça eu me senti!

seria eu um incômodo maior?
era inevitável a pergunta,
e inquietante a resposta,
a reflexão já crescera demais...

ligarei para um número,
trocarei a peça,
mas confesso um tal medo,
de eu também ser trocado...

domingo, 27 de outubro de 2013

o óbvio

as vezes estamos só,
mesmo entre milhões,
as vezes estamos tristes,
mesmo envoltos em felicidade.

talvez nossos sonhos façam isso,
parece-me que eles são nossos,
e apenas nossos,
aprisionando todos os demais.

parece-me que sonhos são de uns,
mas como o verso de uma moeda,
a parte inversa é pesadelo,
ou algo vagamente na fórmula.

talvez no rosto triste da chuva,
um dia sereno e aconchegante,
apenas o lado da moeda,
um formato de lição diferente.

talvez felicidade,
talvez tristeza,
sejam ambos o mesmo,
em diferentes tempos.

ainda uma parábola matemática,
tudo que sobe deve descer,
o alegre deve entristecer,
e vice-versa.

de que se faz essa tal felicidade?
sentimento útil a sobrevivencia?
não mais útil e agora complicador?
devo parar de perguntar?

nisso perdi minha paz novamente,
de tanto que já perdi antes,
quem me leu sabe,
que ainda não me acostumei...

só sei que agora choro,
de tanto que me doi o peito,
mas nada derramo,
nesse dia de felicidade.

segunda-feira, 4 de março de 2013

perda


e assim você se foi,
deixando-me em prantos,
livre de você,
rasgando-se de mim.

não sei se lhe odeio,
não sei se choro,
sei só que não sei,
só sei da dor.

uma alma a menos,
uma ausência a mais,
por quê me deixou?
por que tanta dor?

do cinza de tudo,
meu mundo morre,
a sensação é eterna,
na hora da vida.

como pode sem você?
descobri lhe amar,
e agora você não,
se afasta em mim.

continua ao meu lado,
vazio da presença,
um abraço de mármore,
resta uma lápide.

uma pedra gélida,
congela meu coração,
será que me amou?
pouco importa!

desejo em vão,
que se vá a noite,
nem a lua brilha,
estou em escuridão.

de você há pouco,
desse pouco só dor,
o pouco é muito,
restará a lição.

mas não,
ainda não,
agora sem vida,
resta um só coração.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

pedaço


a algum tempo tive um sopro,
era uma ideia apenas,
uma observação sobre o amor,
nas suas mais variadas formas.

tive um medo infantil de escrever,
mas ele ja se foi,
tentarei mostrar a simplicidade,
nada além de especulação.

quando amamos o próximo,
como um amigo fiel,
ou um filho carinhoso,
ou amando um certo beijo.

entregamos um pedaço do coração,
dentro dele existe um nós,
pequeno mas vivo e completo,
unido a nós como irmão gêmeo.

assim nos entregamos a alguém,
dai a responsabilidade intrínseca,
responsabilidade por cativar,
certo príncipe já havia dito.

quem recebe o pedaço,
recebe um todo em menor tamanho,
e deve cuidar ao máximo,
nem sempre acontece...

dai a dor quando se quebra,
a sensação é de dor imensa,
mas como pode se o pedaço saiu?
pois o pedaço ainda somos nós.

vivos como o coração que bate por si,
fora do corpo sem vida,
a dor é de fato nossa,
nessa parte está o nosso todo.

sejamos responsáveis,
distribuimos-nos para muitos,
cuidamos de poucos,
e claro, desgostamos dos resultados...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

tormento


talvez nossas alegrias sejam sonhos,
que navegam fora de realidade,
talvez nossas dores sejam rasas,
nunca mostrando uma real insatisfação.

talvez nossa dor física seja uma réplica,
insuficiente mas representante,
da nossa tristeza intelectual,
será que somos todos tristes?

será que a ignorancia é uma benção,
e a dúvida o inferno?
não teremos respostas...
apenas mais perguntas.

somos cada um universos tão imensos,
que zonas de intersecção são difíceis,
impossíveis,
será que existem de fato?

se nossas alegrias são sonhos,
como compartilha-las?
estão em nossa cabeça,
como reproduzir o irreproduzível?

tantas perguntas,
tanta tristeza,
talvez o entendimento seja a resposta,
ou mais um canto de uma prisão sem paredes.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

desconhecida


me viste na rua,
nem mesmo 'bom dia!',
me criticas ao longe,
mas me querias em ti!

olho e desolho,
ignoro algumas regras,
quebro outras algumas,
me organizo como quero.

não respeito a corte,
não me inspiro em nobreza,
vivo a perguntar,
vivo a me perder!

quem sou eu franca alma?
diz me tu leitor curioso?
nao sou fácil de conhecer?
não, com teus olhos não sou...

falaste de mim em tuas guerras,
sou o lema de todos teus povos,
pena que meu conceito não sou eu,
sou eu preso e triste!

me mutilaste e me estupraste,
me pronuncias em tua boca suja,
e não estou em teu coração,
te iludes que me ama...

se um dia estinguires o egoísmo,
te livrares dos grilhões culturais,
se conseguires perguntar e ouvir,
então me conhecerás...

se conseguires ser o dono da tua vontade,
mestre das tuas escolhas,
e juntamente conseguires respeitar teu irmão,
me conheceras então, finalmente...

sou eu a onda ascendente do crescimento e da paz,
sou o detentor da renuncia e do amor inconcicional,
me defino como um crescendo texto poético qualquer,
me tenhas em teu coração e tu serás imenso e grande...

mas ainda dormes,
acordarás um dia,
e estarei lá,
me chamarás Liberdade.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

a porta

  de súbito abri meus olhos, da penumbra de um quarto escuro
vinha minha respiração, forte, ruidosa, estremecida. chovia quando o
trovão me acordara. do sono de sombras e ondas do descanso, fora
jogado novamente ao mundo dos vivos, dos vivos de baixas frequência
molecular, de corpos sólidos e mentes ainda vazias de inteligência e
cheias de instintos... cheias demais.
estava sozinho, o som da chuva torrencial me acariciava as
têmporas onde agora habitava a sensação de um pulsar doloroso,
afinal, fora arrancado do seio de meu descanso, prontamente meu corpo
reclamara.
  busquei os joelhos e logo estava de pé, sentia-me zonzo e
perdido, me sentia tão pequeno quanto a realidade permite em relação
ao universo... que erro divinamente diabólico pudera gerar vida que
sabe da própria existência? quais as excessões de regras foram
encontradas simultaneamente ao longo do univérso ao ponto do absurdo
ser possível: a vida, seja ela com inteligencia ou sem... nós, a
exemplo, ainda estamos sem, ainda assim, a vida que se percebe.
  sentia-me só nesse mar de dúvidas, dúvidas essas tão úteis
quanto a fé na hora da morte... todos nós morreremos, independente do
crédo, todos nós não saberemos resposta sequer.
  tentei aquietar meu coração, sentei-me ao lado da janela de
meu apartamento, o mundo era lavado com o leve som da chuva,
perfeito...
  claro que eu jamais chegaria a resposta alguma... por que eu?
infelizmente todos se perguntam isso. qual meu propósito?
infelizmente... e assim seria para qualquer pergunta.
  conclui que talvez fosse melhor voltar para hades, de nada
adiantaria perguntar ao universo, seja lá quem o criou, o fez sem
orelhas e sem boca. só poderia respirar até o fim dos meu dias,
chorar todas as vezes que se partisse meu coração e amar do fundo da
alma todas as pessoas que me permitissem tal entrega.
  deitei-me após a reflexão, curiosamente senti-me honrado...
honrado de ser uma sucessão de tantos erros ou excessões do universo,
senti-me brutalmente original e incrível simplesmente por existir
dentro de tais circunstâncias infimamente prováveis e parti-me a cama
com paz de espírito, nenhuma resposta e uma bela pitada de gratidão.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

perda


te repudio,
realidade suja,
estou em dor,
em perda...

tomas-te a,
imoral e vil,
almaldiçoo-te,
em perda...

quero chorar,
mas só vazio,
amaldiçoado,
perdido...

fúria completa,
contenho,
fecho os olhos,
sofrerei...

ao fim de tudo,
viverei,
abrirei os olhos,
dor em cicatriz...

mundo roto,
endurecerei,
mais e mais,
em sequela...

te repudio,
deus do destino,
cuspo a teus pés,
em desdém...

olha para mim,
sangra-me joelhos,
e te caçoo,
em invencibilidade...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

primatas

e agora filho? que sera de ti?
agrediste teu irmão por traição,
mas se um dias precisares de pão?
ai então pedirás desculpas?
será tarde demais...
até mesmo as boas almas te negarão.

e agora nobre peregrino?
usastes de teus amigos por interesse,
tenha um dia no mundo com amigos,
mas não queira viver 10 anos só,
chorarás por ti mesmo...
o único pobre será tu em esírito.

que será de ti bela figura?
usastes de mulheres por instinto,
em meio ao suor e movimentos conjuntos,
esquecestes por querer o amor,
sua beleza envelhecerá...
serás vazio como teu coração fora.

e agora?
agora é tarde demais,
se não é será,
ao perdedor a humilhação,
ao ignorante a loucura,
serás louco!

serás irresponsável?
pois o cancêr também o é,
células rotas de harmonia,
ao todo a morte trará,
e aos teus próximos ferirás,
sequer perceberás?

rogo que o mundo sobreviva,
pois tua ignorancia é a de todos,
e o mundo em tal rumo sufocará,
na ignorância teu único inimigo,
te vence a todo momento facilmente,
2 mil anos e ainda és um pobre prima.

bloco (textil) do eu sozinho II


  ao longo do meu dia cinzento decidi explorar minha
dúvida, tirar teias do sotão das minhas idéias, inspecionar as
engrenagens que compunham minhas crenças, n'algum lugar deveria
estar a origem de meu desconforto, não seria possível levar essa
'pedra no sapato', que já se tornara 'tijolo' a essas alturas.
como medida inicial, decidi ser o observador de meu sentir, do
momento seguinte em todas minhas ações, olharia pra meus
sentimentos na atividade qualquer que estivesse, buscaria pistas
da origem da minha tristeza que até então era intangivel a minha
consciência diária semidesperta.
  transitara o dia distante, olhava ao longe aos olhos
familiares mas de fato olhava para mim mesmo, tinha por certo
uma sensação estranha, muito pouco daquilo eu havia feito em
toda a minha vida e ao longo da mesma havia caminhado com muitos
sentidos ao lado externo de minha existência, sentia talvez que
de fato não conhecia esse porção de mim, um desconforto de estar
a sós com alguém recém apresentado, nenhuma descrição melhor.
          tomara café inicialmente e após um banho quente, me
vestira, pegaria a chave do carro e rumaria ao trabalho... por
todo o trajeto percebi um silêncio, um silêncio mudo, meu
silêncio... ri ao perceber que de fato se tratava de meu
interior, acho que gritara, esperneara e ultimamente já mordia
meu corpo físico o mais forte que conseguia, não por acaso minha
sensação era por vezes de dor em meu peito angústiado, por minha
longa existência jamais havia lhe dado atenção, lhe escutado,
sequer olha-lo, de fato nunca o tinha visto.
  consegui escutar os aráras gritando em árvores, gaivotas
gorjeando ao passar pela ponte que cruzava lago rumo ao
trabalho, o sol estava alto, poucas núvens eram vistas, uma leve
brisa de primavéra soprava, o lago parecia oceano, azul e
levemente agitado, o dia era claro, claro demais, agora eu o
percebia, dentro de meu silêncio, onde diabos EU estive que
olhara tudo isso sem nunca ver nada? maldição! o que mais não
pude perceber?
          ao chegar no trabalho, dei bom dia ao porteiro do
prédio, percebi seu sorriso e me pus a pensar... nunca tinha
visto, em alguns meses, o pobre diabo com menos que essa
recepção humilde mas resiliênte: esse mesmo sorriso, um leve
abaixar e levantar rápido de cabeça e um tranquilo 'bom dia'.
meu deus, o que mais não percebi? claro, eu iria descobrir que a
soma não era tão contida quanto o agir do porteiro.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

bloco (textil) do eu sozinho I


  hoje acordei pesado, bebera a noite passada... por certo que o costume ao álcool tenha me deixado, já não o usara a certo tempo, trabalhava demais, o momento era de construir, não de relaxar, cobranças pessoais levavam-me a continuar nesse momento 'construtivo' mais tempo do que julgara necessário... enfim, não fujamos da reflexão inicial. me acordara pesado, com um certo pesar em meus ombros, minha cabeça doía de uma certa dose de ressaca, moral e física, não sabia ao certo por que da parcela mental, mas ao me forçar ainda em despertar para me sentar na cama, levei as mãos ao rosto e os cotovelos as pernas e questionei o que havia de errado em mim, uma certa tristeza, um certo sentimento de solidão me tomava conta dos pensamentos em meus últimos meses, não soubera explicar, minha cama nunca ficara vazia, meus amigos sempre ao meu lado nos momentos bons e turbulentos, minha família apesar de fragmentada e espalhada, gozava da saúde de seus integrantes, tudo ia bem, mas algo faltava... me levantei então e parti para meu dia.

súplica


hoje estou triste,
não explico,
apenas sinto,
sinto-me só.

ecoa meu coração,
bate demorado,
desanimado,
nublou-se tudo.

no silêncio escuto,
meu amor acabou,
sem pulsos,
meu amor morreu...

queria sorrisos,
eles arrancariam-me,
a angústia do peito,
e dormiria leve...

mas pareço louco,
me imponho castigo,
devo sofrer!
devo sofrer!

perdi minha vontade,
não preciso de mim,
meu sangue negro,
envenena-me a alma!

ó ceu e deuses,
roguem por mim,
me sinto indo,
deixando-me...

estou triste,
intangível,
triste,
e mais triste...

domingo, 5 de agosto de 2012

conduta


amanhã serei forte,
mais forte do que hoje,
afrouxarei mais os nós,
que me prendem a ignorância.

serei mais cru e indiferente,
aos desprovidos de respeito,
olharei os honestos nos olhos,
levantarei os humilhados.

da minha dor lancinante,
encravada pela injustiça,
brotará como de um parto,
a honestidade da vida.

aos que ofendi e usei,
sempre carregarei sua dor,
a vestirei e a mostrarei,
todos devem saber.

não poderia ter direito,
ao choro de meus erros,
nem de erros contra mim,
mereço a soma justa da punição.

da ignorância irresponsável,
mastiguei sentimentos,
pisei em almas límpidas,
sei que jamais as mereci.

das lágrimas que derramei,
meu combustível infinito,
punho cerrado e cabeça erguida,
caio agora e venço amanhã.

busco a paz do equilibrio,
em meio a cicatrizes,
da seleção bruta da vida,
das dores em meu coração.

gostaria de ter respostas,
seria a buçola da ascenção,
mas tenho só pensamentos,
se é que eles já não bastam...

à vida o meu juramento:
meus erros jamais negarei,
a responsabilidade não fugirei,
meu peito sempre estará de frente.

dentre meu mundo de espinhos,
estou sendo indestrutível,
pois a cada tombo me levanto,
sangra meu rosto, não meu espírito.

terça-feira, 31 de julho de 2012

despedida


hoje despeço-me,
digo tchau a tudo,
a todos e mais,
hoje morro novamente.

decidi pela vida,
então devo morrer,
meu eu já roto,
jaz morto sem mim.

novo eu deve ser,
alvorecer d'uma era,
era um eu menos eu,
menos eu que agora...

agora é o tempo,
presente é uma rosa,
tão belo e tão tudo,
não por acaso presente.

ri de mim mesmo,
descobri-me criança,
sorrio contente,
livre sou eu!

aproveite o dia,
conceda 'bom dia',
sinta algum dia,
o sabor de poesia!

mas não se perca,
já em aviso,
tenha seu porto,
um porto seguro!

carregue as pilhas,
lave sua alma,
pois o mundo é duro,
e as lutas injustas!

mas não tarde,
corre seu mundo,
enfrente sua vida,
indômito desejo!

morra sempre,
para viver sempre,
apanhe do mundo,
sem desistir da vida.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

olívia


olhas em meus olhos,
minta convicta,
quebra meu encanto,
deixa minha vida...

deixa-me só,
estarei em dor,
ferida que dói,
e que se sente.

passarás,
assim como tudo,
morrerás,
sumirás.

estarei em paz,
sereno profundo,
jamais correrei,
mas vou t'encontrar.

morrerei tentando,
escravo de mim,
ergo me sempre,
idéia sem fim.

pior dos teimosos,
convicto cego,
procuro-te sempre,
irei t'encontrar.

me preparo,
erros tortos,
conversas chulas,
beijos secos...

tropeços bobos,
olhares em vão,
respostas de 'não',
o caminho do fim...

fim da espera,
meus erros te acham,
serei já um adulto,
então me olharás.

acariciarei tuas idéias,
beijarei tuas convicções,
gozarei em teu cérebro,
serás mãe de um coração.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

redenção


pesa-me os olhos,
vermelho fadiga,
pesa-me a cabeça,
roxo vergonha.

d'autopiedade crua,
automutilação,
me irrito de culpa,
vítima própria!

nunca é tarde,
espero de fato,
conserto espelho,
perdôo o perdão.

divago em vento,
estou a voar,
liberto de mim,
amarras sangrantes.

tentarei hoje,
tentarei sempre,
preciso ser vivo,
preciso ter paz...

espero de mim,
espero demais,
sem pensar,
me abandonar!

deixo-me vivo,
deixo-me solto,
esqueço de mim,
e de mim lembrarei.

fatos apenas são,
viver é não ser,
viver é sentir,
sentir nem pensar!

ambiguo de fato,
em duas verdades,
infinitas que são,
basta saber.

sem culpa
nem perdão,
escolha,
em paz.