domingo, 5 de agosto de 2012
conduta
amanhã serei forte,
mais forte do que hoje,
afrouxarei mais os nós,
que me prendem a ignorância.
serei mais cru e indiferente,
aos desprovidos de respeito,
olharei os honestos nos olhos,
levantarei os humilhados.
da minha dor lancinante,
encravada pela injustiça,
brotará como de um parto,
a honestidade da vida.
aos que ofendi e usei,
sempre carregarei sua dor,
a vestirei e a mostrarei,
todos devem saber.
não poderia ter direito,
ao choro de meus erros,
nem de erros contra mim,
mereço a soma justa da punição.
da ignorância irresponsável,
mastiguei sentimentos,
pisei em almas límpidas,
sei que jamais as mereci.
das lágrimas que derramei,
meu combustível infinito,
punho cerrado e cabeça erguida,
caio agora e venço amanhã.
busco a paz do equilibrio,
em meio a cicatrizes,
da seleção bruta da vida,
das dores em meu coração.
gostaria de ter respostas,
seria a buçola da ascenção,
mas tenho só pensamentos,
se é que eles já não bastam...
à vida o meu juramento:
meus erros jamais negarei,
a responsabilidade não fugirei,
meu peito sempre estará de frente.
dentre meu mundo de espinhos,
estou sendo indestrutível,
pois a cada tombo me levanto,
sangra meu rosto, não meu espírito.
terça-feira, 31 de julho de 2012
despedida
hoje despeço-me,
digo tchau a tudo,
a todos e mais,
hoje morro novamente.
decidi pela vida,
então devo morrer,
meu eu já roto,
jaz morto sem mim.
novo eu deve ser,
alvorecer d'uma era,
era um eu menos eu,
menos eu que agora...
agora é o tempo,
presente é uma rosa,
tão belo e tão tudo,
não por acaso presente.
ri de mim mesmo,
descobri-me criança,
sorrio contente,
livre sou eu!
aproveite o dia,
conceda 'bom dia',
sinta algum dia,
o sabor de poesia!
mas não se perca,
já em aviso,
tenha seu porto,
um porto seguro!
carregue as pilhas,
lave sua alma,
pois o mundo é duro,
e as lutas injustas!
mas não tarde,
corre seu mundo,
enfrente sua vida,
indômito desejo!
morra sempre,
para viver sempre,
apanhe do mundo,
sem desistir da vida.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
olívia
olhas em meus olhos,
minta convicta,
quebra meu encanto,
deixa minha vida...
deixa-me só,
estarei em dor,
ferida que dói,
e que se sente.
passarás,
assim como tudo,
morrerás,
sumirás.
estarei em paz,
sereno profundo,
jamais correrei,
mas vou t'encontrar.
morrerei tentando,
escravo de mim,
ergo me sempre,
idéia sem fim.
pior dos teimosos,
convicto cego,
procuro-te sempre,
irei t'encontrar.
me preparo,
erros tortos,
conversas chulas,
beijos secos...
tropeços bobos,
olhares em vão,
respostas de 'não',
o caminho do fim...
fim da espera,
meus erros te acham,
serei já um adulto,
então me olharás.
acariciarei tuas idéias,
beijarei tuas convicções,
gozarei em teu cérebro,
serás mãe de um coração.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
redenção
pesa-me os olhos,
vermelho fadiga,
pesa-me a cabeça,
roxo vergonha.
d'autopiedade crua,
automutilação,
me irrito de culpa,
vítima própria!
nunca é tarde,
espero de fato,
conserto espelho,
perdôo o perdão.
divago em vento,
estou a voar,
liberto de mim,
amarras sangrantes.
tentarei hoje,
tentarei sempre,
preciso ser vivo,
preciso ter paz...
espero de mim,
espero demais,
sem pensar,
me abandonar!
deixo-me vivo,
deixo-me solto,
esqueço de mim,
e de mim lembrarei.
fatos apenas são,
viver é não ser,
viver é sentir,
sentir nem pensar!
ambiguo de fato,
em duas verdades,
infinitas que são,
basta saber.
sem culpa
nem perdão,
escolha,
em paz.
terça-feira, 22 de maio de 2012
escárnio
dor corre-me crua,
rasga meu ventre nu,
agonizo ao excrucio,
entrego-me a morte.
olhem-me covardes,
escondam-se entre si,
multidão sem cara,
com uma cara só...
minha face dada ao tapa,
apanha da maioria insana,
julgamento profano,
maioria sem bom senso.
olha minha morte,
ávida por um culpado,
sustentarão sua demência,
e se dirão convictos.
apenas maioria,
sem peso nem idéias,
pensa igual a nós?
mais pesado nosso voto.
podridão maldita,
domínio ao fraco,
darwinismo covarde,
mentes pútridas...
vis dominadores,
cruéis intenções,
apodrecerão em hades,
sorrirei dos prantos.
sou um dominado,
sou uma minoria,
sou a liberdade,
sou escravizado.
os covardes fétidos,
infames vendados,
com a venda da ignorância,
mutilam o próprio colo.
morrerão em sua grandeza,
pois tem número e só,
afogarão-se todos,
no mar da ignorância.
e eu minoria,
rirei de pronto,
depois calarei,
apenas terei piedade.
domingo, 13 de maio de 2012
alma de pássaro
impressões de fora,
nudez intelectual,
ninguém admitirá,
não saber quem é.
nada de mais,
admita,
perca seu chão,
convite a mudar.
pesque um pássaro,
assobia em triste,
canta em feliz,
infeliz?
não,
diferente,
brutalmente oposto,
a vida do alto...
asas ao vôo,
mude de perspectiva,
seja a calma do vento,
esconda-se da chuva...
sacuda-se ao se molhar,
seja o pássaro,
apenas por um momento,
cante quando infeliz.
voe alto,
voe grande,
la de cima veja paz,
tão tão procurada.
daí ela é visível,
o mundo menor,
mais simples,
livre...
acalme os ânimos,
seja livre,
cante na tristeza,
molhe-se na vida...
de nada valerá,
não tentar nada,
só um pouco diferente,
só um pouco pássaro.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
desesperança
curvo meu espirito,
arrependo-me no tudo,
até de me arrepender,
sou um covarde discreto.
pior tipo não há,
de fato é que me dói,
sereno e distante,
vazio e imenso.
choro em soluço,
mas de fato só calo,
triste angústia,
montada num cenho...
queria desistir,
queria subir,
queria descer,
quis nada ser...
vejo do mundo,
verdade demais,
minto pra mim,
sem verdade jamais.
hoje uma ilha,
doloroso escarnio,
solidão remota,
frio coração.
bate bate bate,
bate bate,
bate,
não mais bate...
daí um silêncio,
funebre funesto,
triste e vil,
coração que se pôs.
um dia foi meu,
viveu-se em vão,
espera no peito,
triste solução.
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